A histerectomia em homens trans deve, sempre que possível, ser realizada por via laparoscópica ou vaginal, por serem técnicas minimamente invasivas e associadas a melhor recuperação. Mais do que a simples retirada de um órgão, esse procedimento representa, para muitos, uma etapa importante no processo de afirmação de gênero, contribuindo para a redução da disforia e para o fim do desconforto causado por menstruação e cólicas indesejadas.
De modo geral, a histerectomia em homens trans apresenta um perfil de segurança semelhante ao das cirurgias realizadas por outras condições ginecológicas benignas, com baixas taxas de complicações.
As complicações mais comumente observadas incluem sangramento vaginal no pós-operatório, hematoma na cúpula vaginal (infectado ou não) e lacerações no canal vaginal. As lacerações vaginais tendem a ser mais frequentes em pessoas que fazem uso prolongado de testosterona, devido à atrofia vaginal provocada pelo hormônio. No entanto, essas intercorrências costumam ser de fácil manejo e raramente exigem nova abordagem cirúrgica.
As trompas de Falópio geralmente são removidas no momento da cirurgia. Já a retirada dos ovários permanece tema de debate na literatura. Alguns autores — posição com a qual concordo — defendem a preservação ovariana quando não há doença associada, pois, mesmo sob uso de testosterona, os ovários podem continuar contribuindo para a produção hormonal, importante para a saúde óssea, além de manterem a possibilidade de preservação da fertilidade futura.
Por fim, a decisão sobre a retirada ou oclusão da vagina deve considerar o desejo do paciente e suas práticas sexuais (como a realização ou não de sexo penetrativo). Trata-se de uma conduta individualizada e que não faz parte rotineira da histerectomia isolada.

